Pavilhão: veteranos falam do amor à bandeira do Salgueiro

Historia Salgueiro

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro foi fundado em 5 de março de 1953, como resultado da fusão de duas escolas do Morro: Depois eu Digo e Azul e Branco. Na fundação, estavam nomes como Djalma Sabiá, Paulino de Oliveira, Geraldo Babão, Neca da Baiana, Noel Rosa de Oliveira e Pedro Ceciliano.

A escola nasceu sob a égide de Academia do Samba, lema que carrega até hoje: “Salgueiro, minha paixão, minha raiz, Academia do Samba que me faz feliz”, costumam cantar os componentes da escola. Outro lema que o Salgueiro carrega com muito orgulho é “Nem melhor nem pior, apenas uma escola diferente”.

Seguindo à risca esses dizeres, o Salgueiro se caracterizou por ser uma escola inovadora. Foi o Salgueiro, por exemplo, quem primeiro aboliu as cordas laterais em seus desfiles, em 59, aumentando o contato dos componentes com o público.

Além disso, provando seu pioneirismo, foi a primeira escola de samba a aceitar mulheres na bateria e a promover queima de fogos na Praça da Apoteose. Em seus enredos, a marca do novo sempre esteve presente: já homenageou uma outra escola (a madrinha Mangueira) e um carnavalesco (Fernando Pamplona).

A partir do fim da década de 50 e início da década de 60, o Salgueiro começou a transformar a maneira de se fazer enredos de escola de samba. A primeira atitude da escola foi contar as “histórias e os personagens não oficias” do Brasil, como Xica da Silva, Chico-Rei, Zumbi dos Palmares, entre outros.

Numa época em que todos os enredos, ou pelo menos a grande maioria deles, eram subordinados à ótica do Estado Novo, o Salgueiro trouxe temas que falavam sobre liberdade e principalmente mostrava ao povo a história e cultura dos negros, fazendo com que figuras desconhecidas do público se tornassem verdadeiros mitos.

Uma outra e importante contribuição dada pelo Salgueiro à história do desfile das escolas de samba se deu nos anos de 74 e 75, quando a escola foi bicampeã do carnaval. Sob o comando de Joãosinho Trinta, o Salgueiro introduziu uma nova maneira de se contar histórias no carnaval.

Com o Rei de França na Ilha da Assombração, Joãosinho trouxe o onírico, o sonho e o surrealismo para o carnaval. Neste enredo, foi contada a história do Rei Luis XIII que, ainda menino, imaginou um reino de França no Maranhão.

Este foi o ponto de partida para o Salgueiro contar as lendas que as pretas velhas contavam em São Luís do Maranhão. Estava criada uma nova maneira de se contar um enredo na Avenida.

Na década de 60, o Salgueiro fez o que se considerou uma grande revolução na estética dos desfiles. Com enredos como Xica da Silva, Chico-Rei e Bahia de Todos os Deuses, a escola começava a mostrar uma preocupação com a plasticidade dos elementos que seria a tônica do carnaval na década de 90.

À frente dos carnavais salgueirenses, estavam profissionais com formação na Escola de Belas Artes. Neste item, o Salgueiro está muito bem servido: já passaram pela escola tijucana nomes como Arlindo Rodrigues, Fernando Pamplona, Joãozinho Trinta, Maria Augusta, Rosa Magalhães e Renato Lage.

Em meados dos anos 70, um grande racha na escola provocou uma debandada geral de componentes de diversos setores da agremiação que foram, principalmente, para a Beija-Flor, que viu nascer aí sua fase vitoriosa.

Nos seus 50 desfiles, o Salgueiro já foi campeão oito vezes. Amargou um grande jejum entre 76 e 93, quando ganhou seu último carnaval, com Peguei um Ita no Norte. Foi um dos melhores carnavais dos anos 90, levantando a Sapucaí. Em 2003, festejando seus cinquenta anos de vida, o Salgueiro ficou apenas com a sétima colocação.

Enredo salgueiro 2010

‘Histórias sem fim’

samba salgueiro 2010

Samba enredo Salgueiro

‘Histórias sem fim’

Compositores do Samba-Enredo
Josemar Manfredini; Brasil do Quintal; Jassa; Betinho do Ponto; Fernando Magaça

Sonhei… No infinito das histórias
Iluminando a memória, me encantei
Brilhou… Realidade e fantasia
como nunca imaginei
Na arte do saber um novo amanhecer
Divina criação, primeira impressão
O livro sagrado da vida
Virtude pra eternidade
A leitura estimulando
A mente da humanidade

Eu viajei nessa magia
De alma e coração
Na fonte da sabedoria
Busquei a minha inspiração

Páginas descrevendo pensamentos
Clássicos, ideais e sentimentos
Romance e aventura
Quanta riqueza na nossa literatura
O faz de conta inocente da criança
Ficou guardado na lembrança
Mistérios, suspense e emoção ô, ô, ô
É o hábito de ler, folheando com prazer
Muito além de uma visão
Mensagem de esperança
Clareando a imaginação

Uma história de amor
Sem ponto final
“Academia do samba” é salgueiro
No “livro do meu carnaval”

Samba Salgueiro